Terça-feira, 17 de Abril de 2007
Oposição exige que Lipari Pinto deixe de tutelar Gebalis

(in Diário Digital / Lusa)

Os vereadores da oposição na Câmara de Lisboa exigiram segunda-feira que o presidente, Carmona Rodrigues (PSD) retire ao vereador Lipari Pinto (PSD) a tutela da empresa que gere os bairros municipais, Gebalis
O vereador da Habitação Social ausentou-se segunda-feira da reunião do executivo «para não votar contra o relatório e contas relativo ao exercício de 2006» da Gebalis, uma proposta subscrita pelo presidente, Carmona Rodrigues.
Numa declaração lida no início da reunião, Lipari Pinto afirmou que o documento «contém erros e omissões grosseiros, denotando pouco rigor na sua elaboração» e reiterou o pedido de demissão da administração da empresa.
Após a declaração de Lipari Pinto, Carmona Rodrigues suspendeu os trabalhos, retomados depois de cerca de trinta minutos, tendo o relatório e contas passado para último ponto da ordem de trabalhos e depois decidido o adiamento da sua votação.
O vereador, que assumiu o pelouro detido pela vereadora do CDS-PP, Maria José Nogueira Pinto, até ao final da coligação de direita que governava Câmara, referiu que o passivo da empresa aumentou de 37,6 milhões de euros, em 2005, para 45 milhões de euros, em 2006.
O vereador socialista Dias Baptista afirmou o «repúdio» do PS em relação à atitude de Lipari Pinto, que, considera, «demonstrou uma grande falta de respeito pelo senhor presidente, pelos vereadores, pela Câmara e pela Gebalis».
«O senhor presidente devia-lhe ter retirado a tutela, o que não fez», disse.
«Este episódio só aguçou a falta de capacidade do vereador Sérgio Lipari Pinto se manter com a tutela de Gebalis», afirmou.
O vereador comunista Ruben de Carvalho considera que Lipari Pinto tentou protagonizar uma «prova de fogo» que surpreendeu a própria maioria social-democrata.
«O vereador Sérgio Lipari Pinto não tem condições para tutelar a Gebalis», afirmou.
O vereador eleito pelo Bloco de Esquerda, José Sá Fernandes, afirmou que Carmona Rodrigues deve «tirar consequências» do comportamento de Lipari Pinto, numa reunião em que, disse, houve «insultos e acusações».
Questionada sobre a continuidade de Lipari Pinto no pelouro da Habitação Social, a vereadora do CDS-PP, Maria José Nogueira Pinto, respondeu considerar «muito difícil» a manutenção do pelouro sob a responsabilidade do autarca social-democrata.
«Não tutelou verdadeiramente a empresa, entrou logo em guerra com o conselho de administração», afirmou a anterior vereadora da Habitação Social.
«Questão diferente era o senhor vereador ter feito uma proposta diferente daquela que eu fiz para uma nova estratégia e nessa altura era legítimo que quisesse um conselho de administração com um outro perfil», argumentou.
Nogueira Pinto considera que, por outro lado, Lipari Pinto promoveu a «degradação do bom-nome da empresa» ao criar uma «comissão ad-hoc» para avaliar a Gebalis.
O relatório desta comissão, que avaliou em especial as obras lançadas entre 2001 e 2006 pela Gebalis, apontava para má gestão e descontrolo dos custos das empreitadas.
Depois deste relatório, o presidente da autarquia ordenou ao Departamento de Auditoria Interna da Câmara que elaborasse um relatório sobre a actividade da empresa, em que ouvisse os responsáveis da empresa e realizasse o contraditório que a primeira avaliação não tinha efectuado.
O Departamento de Auditoria Interna analisou as situações mencionadas no relatório da comissão e considerou que alguns factos descritos no documento «carecem de fundamento quanto à sua irregularidade e/ou são manifestamente inconsequentes», enquanto outros foram confirmados pelos auditores, de acordo com as conclusões do documento a que a Lusa teve acesso.
Maria José Nogueira Pinto considerou que «é um absurdo que um vereador que tem a tutela de uma empresa a queira matar quando a devia cuidar».
«É uma situação um pouco aberrante», disse.
O vereador social-democrata José Amaral Lopes afirmou aos jornalistas, no final da reunião, que Lipari Pinto «entendeu que não deveria participar [na votação] porque, como é público, não se quer comprometer com a gestão que tem sido efectuada pelo conselho de administração [da Gebalis]».
Segundo Amaral Lopes, a oposição chamou à discussão outros documentos além do relatório e contas, nomeadamente os dois relatórios elaborados sobre a empresa.
«O presidente entendeu que devia adiar-se a discussão da Gebalis e marcar uma reunião específica para analisar a situação da empresa», afirmou.
Amaral Lopes desdramatizou um eventual mal-estar que a atitude de Lipari Pinto terá provocado entre os sociais-democratas, sublinhando que «o presidente não é o autor da proposta», a que o vereador da Habitação Social se opôs.
De acordo com Amaral Lopes cabe por lei a Carmona Rodrigues a obrigação de apresentar à Câmara aqueles documentos contabilísticos e financeiros.
Amaral Lopes respondeu igualmente que não há «fundamentos» para se colocar a hipótese de Lipari Pinto deixar de tutelar a Habitação Social.
Fonte do gabinete de Lipari Pinto garantiu à Lusa que o vereador agiu «em sintonia» com o presidente da Câmara.
Na reunião extraordinária do executivo, que se prolongou durante cerca de oito horas, foi aprovado o relatório e contas da autarquia referente a 2006.
O documento, que aponta para uma taxa de execução de 47 por cento do plano de actividades de 2006 e um aumento da dívida em 60 milhões de euros, foi aprovado com os votos contra do PS, PCP e BE, a abstenção do CDS-PP e os votos favoráveis do PSD.
publicado por Marlene Marques às 13:34
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