Terça-feira, 5 de Julho de 2005
"Nogueira Pinto paga dívidas e sai com saldo positivo"

(Notícia Cristina Serra, Correio da Manhã, de 3 de Julho)

"Redução das despesas e o aumento das receitas permitiram à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), em apenas três anos, acabar com um prejuízo de 77 milhões de euros e fechar as contas com um saldo positivo de 90 milhões de euros.

A ex-provedora, Maria José Nogueira Pinto, era uma mulher feliz no dia 30 de Junho, quando terminou o seu mandato.

Poucas horas antes, Nogueira Pinto desvendou ao CM o segredo de uma boa gestão. “A recuperação fez-se trabalhando a despesa, ou seja, havia muito desperdício, comprava--se mal, caro, e coisas não necessárias. O sector da alimentação foi posto em ‘out-sourcing’ e teve imediatamente um resultado bastante positivo; é um serviço que abrange quatro milhões de refeições por ano, no apoio social.”

Segundo dados da ex-provedora, as despesas da SCML em 2002 eram de 142 milhões de euros. Dois anos depois, com aumento de actividade, baixaram para 130 milhões. Enquanto as despesas são reduzidas, as receitas da instituição aumentam: de 121 milhões (em 2002) subiram para 201 milhões (em 2004).

CONTRATOS RENOVADOS

Perante dívidas tão avultadas, Maria José Nogueira Pinto chegou a colocar a hipótese do despedimento.

“As maiores despesas são com os recursos humanos e os aprovisionamentos. Pensei que tínhamos de despedir, o que é sempre violento. Falei com sindicatos na altura mas foi bom não ter de ser assim”. Contudo, foi necessário proceder à não renovação de contratos a termo, uma situação que abrangeu “umas dezenas largas de funcionários”. Avançou-se ainda com uma política de reformas antecipadas.

A recuperação da actividade permitiu depois “absorver o pessoal que estava excedentário à data da nossa entrada”, sublinha a ex-provedora.

A maior “fatia” das despesa da SCML vai para a acção social traduzida em subsídios para lares de idosos e crianças e subsídios para famílias, abrangendo uma factura anual de 92 milhões de euros.

MARKETING AGRESSIVO

Maria José Nogueira Pinto admite que “reduzir a despesa permitiu libertar mais dinheiro para a missão da Misericórdia que é ajudar as pessoas”.

Uma política agressiva no marketing dos jogos sociais permitiu à Santa Casa duplicar as receitas no espaço de três anos, passando dos 700 milhões (em 2002) para os 1400 milhões (em 2004). Os lucros distribuídos, nesses dois anos, passou de 200 para os 460 milhões.

Nogueira Pinto diz que os jogos foram tratados como verdadeiros produtos comerciais, com reestruturação da rede comercial, implementação do sistema ‘on-line’, acesso pela internet, placa digital e telemóvel.

“A modernização no acesso aos jogos, com a implementação das apostas através da internet e por telemóvel permitiu captar novos apostadores que não iam às agências beber café ou comprar o jornal e assim aumentámos as receitas”, concluiu.

INSTITUIÇÃO PODEROSA

Na hora de saída da Misericórdia, Maria José Nogueira Pinto leva uma mágoa: “Saio sem saber quem me vem substituir. Esta casa não merecia isto.” E adianta: “Estes números – os resultados da actividade dos três anos – mostram que esta é uma das instituições portuguesas mais poderosas.” Maria José Nogueira Pinto, candidata à Câmara de Lisboa, refere-se ao peso da instituição na economia nacional, especialmente devido ao Departamento de Jogos, fonte essencial de receitas, mas também ao património que possui, parte dele legado por beneméritos. “Os portugueses são muito generosos”, comenta. Fonte do Ministério do Trabalho e Solidariedade Social disse ao CM que a nomeação do novo provedor da SCML está “para breve”. Um dos nomes mais falados para ocupar o cargo de provedor e suceder a Nogueira Pinto é Rui Cunha, antigo secretário de Estado da Inserção Social. Fernando Paes Afonso também deixa o cargo de presidente do Departamento de Jogos.

JOGOS RENDEM 1400 MILHÕES DE EUROS

O Departamento de Jogos da Santa Casa foi o maior contribuinte para as receitas consolidadas. Em 2004 foram arrecadados 1400 milhões de euros, o dobro das receitas em 2002, que contabilizaram 700 milhões.

Para isso muito contribuiu a introdução do Euromilhões e da possibilidade de jogar através da internet e as alterações no Totobola.

Quanto à despesa, a Santa Casa despendeu mais de 40 por cento em actividades de acção social, 29 por cento na área da saúde, 2,6 por cento em acções relacionadas com a cultura.

Segundo dados da instituição, a população de Lisboa beneficiou, em 2004, de 67 000 consultas em ambulatório, 15 462 consultas ao domicílio, 52 454 atendimentos sociais e rastreios pediátricos a 872 crianças. Dado o envelhecimento da população, a Santa Casa proporcionou o acesso a lares, centros de dia, centros de convívio ou apoio domiciliário a mais de 4000 idosos. No combate à exclusão social, a instituição apoiou mais de 1500 pessoas sem-abrigo. Foram ainda realizados diversos projectos na área da saúde, incluindo rastreios nas creches e jardins--de-infância, práticas de saúde comunitária e familiar e um centro de acolhimento e vigilância para terapêutica para doentes com o VIH. O processo de adopção de crianças foi acelerado, permitindo que 44 crianças tenham iniciado o processo de pré-adopção, 48 crianças foram adoptadas, 62 famílias adoptantes foram seleccionadas.

FORTUNAS, PRÉDIOS E ÚLTIMAS MORADAS

BARRAS OURO

A Santa Casa chegou a ter barras em ouro depositadas em bancos suíços, doadas por beneméritos. Outros bens têm sido entregues ao longo dos anos: terrenos, casas, edifícios, quadros e outras obras de arte são exemplos de heranças, testamendos legados à instituição.

IMÓVEIS

A SCML recebeu, neste mandato, 109 entregas voluntárias de chaves, 26 prédios totalmente devolutos e fez intervenção imediata em fogos vagos: 109 casas foram reabilitadas ou estão em vias de reabilitação. Em 2004 foram executadas 101 empreitadas e cerca de 1400 intervenções.

JAZIGOS

A SCML reabilitou jazigos: 174 no cemitério do Alto de S. João e 237 no cemitério dos Prazeres. Recuperou ainda o mausoléu dos beneméritos. No âmbito do Recria, tem oito processos de recuperação de imóveis. Em 2004 recebeu 4 562 387 euros de beneméritos e 784 853 euros de donativos."

 

publicado por Maria José Nogueira Pinto às 02:08
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