Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007
17ª Meia-Maratona de Lisboa

Realiza-se no próximo dia 18 de Março, com partida às 10h30, a 17ª Meia-Maratona de Lisboa.

Esta prova, organizada pelo Maratona Clube de Portugal, conta com o apoio de diversas entidades, entre elas a Câmara Municipal de Lisboa. O percurso terá uma extensão de 21,195 km na Meia-Maratona e de 7 km para a Mini-Maratona. Com partida em simultâneo no lado sul da Ponte 25 de Abril – na Praça da Portagem – os atletas atravessarão a ponte e terminarão na meta localizada na Praça do Império, junto ao Mosteiro dos Jerónimos. O percurso, bastante rápido, com partida e chegada em dois pontos diferentes, faz desta uma das provas de atletismo mais atractivas do mundo.

publicado por Maria José Nogueira Pinto às 16:13
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Domingo, 25 de Fevereiro de 2007
Vereador Sérgio Lipari tem 32 assessores

Maria José Nogueira Pinto, vereadora do CDS-PP em Lisboa, considera que o PSD ainda tem uma última oportunidade para evitar eleições: Carmona renuncia e abre caminho a Marina Ferreira. A autarca, que vai processar o vereador Sérgio Lipari, diz que é candidata à Câmara sem coligação. E no CDS admite já um congresso extraordinário.

Correio da Manhã – Quem é o responsável pela crise na Câmara de Lisboa?

Maria José Nogueira Pinto – O principal responsável é o PSD de Lisboa e o dr. Marques Mendes. Ou o dr. Marques Mendes toma conta da situação de Lisboa ou Lisboa vai dar cabo do dr. Marques Mendes. Pode ser o princípio da queda do dr. Marques Mendes.

– Porquê?

– Tanto quanto sei, a candidatura do professor Carmona Rodrigues foi a escolha da distrital do PSD-Lisboa e do dr. Marques Mendes. É uma candidatura que assenta, nalgum engodo. O PSD não tinha, nas suas fileira, nenhum militante com experiência política que pudesse oferecer a Lisboa. E tinha mesmo a grande preocupação de apagar a passagem de um político marcante do PSD. Que foi o dr. Santana Lopes. Então foi buscar um personagem curioso que é o professor Carmona Rodrigues. Que aparece como antipolítico. É o homem que não tem os vícios da política. O PSD dá de barato que a política está cheia de vícios e que é preciso para Lisboa um homem tão sério, tão sério que não pode ser político. Isto é um péssimo princípio. E vou dizer porquê. Porque o professor Carmona Rodrigues não tem nenhuma experiência política. A imagem que foi vendida – aliás muito bem vendida – foi a da pessoa que não ia cometer os erros dos políticos. Agora temos ali uma pessoa anulada. Carmona Rodrigues, coitado – direi eu – está anulado. Não toma nenhuma decisão, não consegue traçar um caminho.

- Disse que Carmona Rodrigues não tinha perfil político. Mas já foi ministro...

– Não sobrará uma palavra em nenhum livro sobre a passagem de Carmona Rodrigues pelo Governo. Aliás, quando me candidatei pedi o currículo de toda a gente e fiquei espantada porque tanto quanto me lembro Carmona Rodrigues é um professor catedrático, com certeza muito competente, esteve no Instituto da Água – e quando fala das coisas hídricas sabe imenso – e depois foi inventado pelo dr. Santana Lopes. Não temos mais nenhuma referência.

– Disse que a realização de eleições intercalares poderá ser a única solução. É esta via?

– Ainda há outra antes dessa. O PSD tem ali ainda uma composição mais credível para fazer. Que poderia economizar tempo. As eleições vão demorar um ano, vão custar um dinheiral. Também não sei por que é que o PS não quer eleições. Coloco duas hipóteses. Acho que o engenheiro José Sócrates pode, ainda, não mandar no PS-Lisboa ou pode estar a fazer outra coisa que também é egoísta para Lisboa, eu faço uma demonstração e digo: vejam como eu governo o País e vejam como o PSD governa Lisboa. E o PSD não consegue dar solução.

– Marina Ferreira por exemplo?

– Por exemplo.

– Seria melhor que Carmona Rodrigues?

– Sem dúvida alguma. Mas, o PSD também não faz isto. Como não há liderança, a Câmara de Lisboa transformou-se numa cotada do PSD-Lisboa, onde as diferentes facções ajustam contas, onde há vereadores com 32 assessores nos seus gabinetes.

– Quem são os vereadores?

– Por exemplo, o sr. vereador Sérgio Lipari tem 32 assessores. Isto para quê? Para organizar o seu tabuleiro de xadrez de Lisboa. Mas, entretanto, mata Lisboa. Acho isto surpreendente. E eu no meio também ia. Dava um jeitaço atirarem-me para o alto.

– Qual dos PSD é mais acutilante consigo nessa guerra? O de Paula Teixeira da Cruz, de Sérgio Lipari...

– Sérgio Lipari não tem nenhum PSD. Sérgio Lipari é um aparatchic, aquilo que, na linguagem de Ciência Política, se chama um aparatchi.c. Penso que o PSD, geralmente considerado, está muito desgostoso com toda esta situação.

– Qual é a via que sugere para o PSD?

– Só posso dar sugestões. Se eu fosse o dr. Marques Mendes dizia assim: Em vez de se gastar tempo a pôr adesivos nesta coisa toda partida – a cúpula do PSD esteve sete horas reunidos a pôr adesivos nesta gangrena – avaliava os custos e benefícios de eleições antecipadas. Chegavam à conclusão que os custos eram muito pesados para eles. Então, quais são os nossos custos em dizer: Sim senhor, enganámo-nos o professor Carmona Rodrigues não dá para o gasto, professor chegue para o lado e, agora, temos aqui uma pessoa com mais experiência.

– Mas afinal quer ou não quer eleições intercalares?

– São quatro partidos na oposição. A responsabilidade é geral, mas proporcional ao número de votos. A Câmara não cai sem os cinco votos do PS. A presidência da Câmara, nas próximas eleições, é disputada entre o PSD e o PS. Pedir eleições antecipadas sem que se oiça a voz do PS é uma irresponsabilidade. Dado o estado de degradação, o PSD deve apresentar uma solução. Ainda tem uma hipótese...

– Sem Carmona Rodrigues?

– Sem Carmona. Que devia renunciar. Caso contrário, vamos caminhar inevitavelmente para eleições. Mas a voz do PS é determinante.

– Mas a Assembleia Municipal ficava na mesma.

– Era de bom tom que o PSD cedesse nisso. E fizesse eleições na Assembleia Municipal. Era o mínimo que o PSD podia fazer por Lisboa. Se quer fazer uma demonstração de que está preocupado com Lisboa, mais do que com as suas questões internas, então o PSD faz cair a Assembleia Municipal. Porque o PSD sabe que esse é o grande argumento que o PS tem para não avançar. Então, nessa altura, diz : reconhecemos o nosso erro, caímos na Câmara e na Assembleia Municipal. Isso sim é que era uma demonstração de amor.

– Em cenário de eleições, é a candidata do CDS-PP?

– Posso dizer que sim. Mas gosto de prevenir as coisas. Eu não me imponho ao partido. E posso admitir que no partido, na altura, se isso se verificasse, nascesse alguma hipótese de coligação com o PSD. Eu não vou coligada com o PSD.

– Já falou com Ribeiro e Castro?

– Tinha essa obrigação. Falei para dizer o quê? Para dizer que acho que quem deve escolher o candidato é o partido, e se o CDS, num momento de eleições, entendesse – não me parece – que a coligação era benéfica, o faria com outra pessoa. Não me zangava absolutamente nada.

– O líder do partido admitiu já eleições intercalares.

– Sim. E julgo que não pensou nelas coligado com ninguém.

– Julga ou tem essa garantia?

– Não quero essa garantia. Eu posso dizer que desta água não beberei. Agora, não posso obrigar o partido a dizer: “Desta água não beberei.” Imagine-se que qualquer coisa se coloca e que faz sentido essa coligação. Não é porque eu não me quero coligar que o partido não se coliga.

– Quando fala em “qualquer coisa” está a referir-se a um candidato à liderança do CDS, por exemplo Paulo Portas?

– Por acaso não estava a pensar nisso. Estava a pensar numa inflexão total do PSD.

– E no caso de Paulo Portas avançar e ganhar a liderança?

– Direi o mesmo. Quem escolhe o candidato é o partido. Se me escolherem a mim, sabem já, que não vou coligada. Há interesses do partido que não quero bloquear.

– É verdade que Carmona Rodrigues lhe propôs novamente uma coligação?

– Não falo de conversas privadas.

– O seu apoio a Ribeiro e Castro continua intacto?

– Sou uma mulher de lealdades. A única pessoa que invocou deslealdades sem explicar a razão foi Carmona Rodrigues. De resto, ninguém pode invocar uma deslealdade minha. Sou uma pessoa leal. Estou com o dr. Ribeiro e Castro, porque tenho algumas responsabilidades em o ter animado a ir a congresso. Que depois ganhou. Sei bem quão difícil é o caminho de ser presidente de um partido como o CDS-PP.

– É uma questão de lealdade para com Ribeiro e Castro?

– A lealdade dos militantes é para com o partido. Como, aliás, a lealdade dos vereadores é para com a Câmara. E portanto, o dr. Ribeiro e Castro tem as pessoas que o apoiaram, que o apoiam. E o CDS, com uma clara tendência de descida, não pode ter um caminho de facilidade. O partido tem de ter um caminho de dificuldade. O que valia a pena era ter dito no último congresso, aquilo que tentei dizer: Se o CDS não quer dificuldades é livre de o dizer. Não conta connosco, conta com outros e ninguém se zanga.

– Caminho de dificuldade?

– Esta tendência de descida só se corrige com duas coisas: O partido deve ter, pelo menos, um embrião de uma estrutura que o venha fortalecer. Por fim, o partido organiza o seu discurso. Porque o discurso do dr. Lucas Pires, o discurso do professor Adriano Moreira, o discurso do dr. Manuel Monteiro, o discurso do dr. Paulo Portas, o discurso do dr. Ribeiro e Castro, não cose. Não cose.

– Não cose?

– O nosso eleitorado foi sempre mudando de eleição para eleição. Por exemplo, em Lisboa tive uma percentagem muito significativa de votos de esquerda. Não acha que é preciso parar para pensar? No congresso era interessantíssimo dizer isto. Eu ouvi o dr. Pires de Lima dizer uma frase muito interessante que seria um ponto de partida para uma grande reflexão: “Por que é que não gostam de nós?” Por que é que eu oiço vinte vezes: “Se a senhora não fosse desse partido eu ia votar em si. Votei em si apesar de ser desse partido.” E quando alguém me diz na rua que votou em mim por ser do CDS e baixa o tom de voz. Temos de analisar isto ou não?

– É essa reflexão que se deve fazer no Conselho Nacional em Março?

– O Conselho Nacional já não é espaço para isto. Isto é uma reflexão para um congresso.

– Se há um candidato, além do dr. Ribeiro e Castro, então que se faça um congresso. É isso que está a dizer?

– Há um candidato, muito bem, venha o candidato, há três candidatos, melhor, o partido quanto mais candidatos tiver, melhor se sente. Só se justifica um novo congresso extraordinário com eleições. Se há um candidato, se há uma parte do partido que contesta a liderança do dr. Ribeiro e Castro, então vamos a congresso. Estou ao lado de Ribeiro e Castro. Que não restem dúvidas. Mas estava a pensar que talvez fosse bom colocar estas questões para não ficarem escamoteadas. Primeiro, a tendência é de decréscimo, com este presidente ou outro presidente. Segundo, não deixar de debater três ou quatro problemas. Um deles é: o partido nunca faz as sínteses. Tem de estabilizar numa linha. Não pode conviver tudo lá dentro. Dou um exemplo, o caso da União Europeia. O CDS teve sobre isso todas as posições.

– A frente liberal do partido tem vindo a evoluir...

– É muito forte. Uma das razões por que não vou candidatar-me é porque, naturalmente, aquilo que eu penso está muito mais ligado às minhas raízes cristãs. Por isso, acho que o sinal máximo de civilização é uma sociedade justa, portanto eu estou antiquada. Não tenho a mesma linguagem daquelas pessoas.

– Ter preocupações sociais, justiça social é antiquado?

– Há uma direita que acha isso tudo muito ultrapassado. E que acredita que o crescimento económico tudo resolve. Também é verdade que só distribuímos o que existe.

– Pires de Lima é o rosto dessa direita?

– É o melhor rosto dessa direita no partido. Tenho grande apreço por ele. E não tenho a certeza, hoje, que o futuro não seja mais parecido com Pires de Lima do que comigo. Naturalmente é. Mas fico ralada? Nada, nada, nada. Desde que me deixem dizer o que eu penso.

– A bancada do CDS falhou ou as falhas são partilhadas?

– Em alguns momentos não foi bem conduzido de um lado, em alguns momentos não foi bem conduzido do outro. Sobretudo, pela percepção que algumas pessoas tiveram, de que o grupo parlamentar se iria constituir como o baluarte da resistência portista. E era isso que, com bom senso, se tinha que desfazer. Porque então não valia a pena o dr. Paulo Portas se ter ido embora.

– Acha que há um grupo ‘portista’ contra Ribeiro e Castro?

– Acho que há excesso de zelo de algumas pessoas, e não estou a pensar na bancada, que fazem uma guerra por conta do dr. Paulo Portas, mas não estou nada certa que o dr. Paulo Portas mande fazer. Há muita coisa que é feita em nome do dr. Paulo Portas.

– Teria sido útil que Ribeiro e Castro escolhesse, logo de início, o líder da bancada?

– Acho que não tinha noção que esse problema era tão agudo.

– Como é que se resolve a questão da bancada?

– Acho que a bancada vai escolher o seu líder.

– Que avaliação é que faz deste vazio de liderança da bancada?

– O dr. Nuno Melo foi um excelente líder do grupo parlamentar. Acho que se sentiu magoado e é natural. Mas tinha uma discordância de fundo com o dr. Ribeiro e Castro. Então, não podia continuar como líder parlamentar.

"É UMA FORMA DE ME MATAR, MAS NÃO ME MATAM"

– Garante que não está lá nada que a comprometa na Gebalis?

– Nada. O aproveitamento que se fez do relatório, como arma de arremesso, foi a possibilidade, por 48 horas, de dar a ilusão de que o documento só contemplava a minha tutela. Como disse um taxista à minha irmã, que não sabia que era minha familiar: “Era uma pessoa que gostava tanto, mas também já está metida nas falcatruas.” Foi como se levasse um murro no estômago. A minha irmã respondeu: “Ela nunca tirou nada a ninguém.”

– E o seu projecto da Baixa-Chiado?

– Está parado. É a forma que têm de me matar. Mas não me matam. Matam é os projectos. E, neste momento calha fazer política com adversários muito sujos. Por exemplo, a minha mãe, com 86 anos, ficou preocupadíssima e eu disse-lhe: “Oh mãe, isto é a política.” E ela respondeu: “Mas que nojo!” Eu disse-lhe que também há política nojenta. Muitas vezes tenho que estar ao lado dos vereadores da oposição, não por questões ideológicas, mas por decência.

"SEI DIRIGIR LINDAMENTE ESTE PARTIDO"

– Está disponível para disputar a liderança do CDS?

– Não. Eu não estou.

– Não quer repetir essa experiência?

– Não. Fui à outra [congresso de 1998] sem nenhuma convicção e vou sempre às coisas com muita convicção. Fui por sentido de dever e sem convicção. Lição que aprendi. Mesmo que seja muito o sentido de dever, só se pode ir com convicção. Não tenho nenhuma. Não é trabalho que eu gostasse de fazer. Embora saiba hoje – coisa que também não diria há dois ou três anos – dirigir lindamente este partido. Por acaso calhou, mas calhou tarde.

– Se sabe dirigir lindamente o partido, não avança porquê?

– Não tenho vontade. E na vida temos de fazer as coisas com vontade. Agora, imagine que há uma disputa entre o dr. Paulo Portas e o dr. Ribeiro e Castro. Imagine que ganha o dr. Paulo Portas. Acredito que ele reconhecerá, não tenho dúvidas nenhumas, que este trabalho, de ter um conselho económico e social a funcionar, ter, neste momento, ‘think thank’ a funcionar, para as concelhias e distritais é importantíssimo.

– O CDS reconhece o trabalho?

– Vai reconhecer. O partido pode não querer o dr. Ribeiro e Castro. Mas este trabalho vai reconhecer. Nem que eu suba lá acima à tribuna e pergunte e peça que me respondam com a voz, se realmente o partido tem quatro coisas que não tinha e não vale a pena ter essas quatro coisas. Talvez para muitos não chegue... Estão no seu direito.

PERFIL

Anda de táxi porque não tem carta de condução. Colecciona receitas de cozinha e tem uma vasta colecção de DVD. Maria José Avillez Nogueira Pinto, 54 anos, é casada com Jaime Nogueira Pinto. Tem três filhos: Eduardo, Catarina e Teresa. Nasceu em Lisboa, na mesma casa onde ainda hoje vive.

Licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra exerceu vários cargos, desde a vice-presidência do Instituto Português de Cinema, à provedoria da Santa Casa da Misericórdia, passando pela Maternidade Alfredo da Costa como directora durante alguns anos. Foi subsecretária de Estado da Cultura, como independente nos governos de Cavaco Silva. Deputada à Assembleia da República pelo CDS, foi líder do grupo parlamentar do partido com Manuel Monteiro.

Candidatou-se à liderança do CDS-PP em 1998 contra Paulo Portas, mas perdeu num conclave em que o adversário só se assumiu em plena reunião-magna. Apoia Ribeiro e Castro em 2005, e é presidente da Mesa do Conselho Nacional do CDS-PP. É vereadora da Câmara de Lisboa, onde fez uma coligação com Carmona Rodrigues por dez meses.

Cristina Rita / José Rodrigues
publicado por Maria José Nogueira Pinto às 14:37
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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007
E agora, Lisboa?
(Artigo publicado no Diário de Notícias a 2 Fevereiro 2007)
 

Os meus colegas falam muito em “fazer cidade”. Eu não. Lisboa está feita, nalguns casos, desfeita ou a desfazer-se, noutras, mal feita.

 

O que sempre me pareceu é que uma cidade precisa de ser cuidada, conservada, em função de quem nela vive, de quem parte e de quem chega. Precisa, igualmente, de se reperfilar atenta às causas da desertificação desta ou daquela zona, da deslocalização de usos e funções relevantes (como é agora o caso de quartéis, hospitais, presídios) em torno das quais foi ganhando forma e gerando economias próprias desta ou daquela zona, prevenir o agravamento de fenómenos de segregação espacial, geracional, social.

 

Cosmopolita, sim. Mas sem aquela permanente tentação de um cosmopolitismo tipo «bondex» com que damos algum brilho e vida a móveis de pouco valor mas talvez, ainda, de alguma utilidade secundária.

 

Competitiva, sim. Mas não como o somatório de acções fortuitas, sem fio condutor, alheias ao mais determinante factor de competitividade que são as pessoas, o seu enraizamento, as suas capacidades.

 

“Fazer cidade” não é bem isto. Mais modesto este constante cuidar, mais atento, menos criativo, mas talvez mais inteligente na necessidade de intelegere a dimensão espacial, temporal e histórica.

 

O que se coloca hoje a Lisboa já não é, não pode ser, nem uma coisa nem outra. Sempre me pareceu, e muitas vezes o afirmei durante a campanha das autárquicas, que no estado em que estava a Câmara Municipal de Lisboa, “arrumar a casa” e “pôr as contas em ordem” – trabalho ingrato mas indispensável – tinha de constituir a primeira prioridade a consumir, calculo, um ano de mandato. Os outros três anos dedicados a três prioridades bem definidas e sustentadas. E mais nada. Pouco, disseram muitos. Mas temo que, agora, tenhamos muito menos.

 

De facto, desde o início do mandato, a Câmara foi sistematicamente fustigada por suspeições diversas.

Este clima é adverso a qualquer trabalho de fundo. Dispersa as atenções, gera confusão interna, cria uma má imagem para o exterior, dificulta todo o tipo de negociações e acordos com agentes e parceiros indispensáveis. Prejudica o saneamento financeiro.

 

Os recentes acontecimentos – e salvaguardando o princípio fundamental da persecução da inocência que a experiência portuguesa, nesta matéria, me leva a valorizar ainda mais – têm uma dupla natureza. A primeira é do foro judicial e mal feito fora que me armasse em “ajudante” do poder judicial. A segunda é eminentemente política e como vereadora eleita sou parte integrante dela. É isso que os lisboetas esperam de cada um que compõe o executivo camarário.

 

De facto, com pelouro ou sem ele, é este executivo que governa a cidade. Nas actuais circunstâncias três atitudes são possíveis: uma atitude atenta mas passiva; uma atitude activa mas destrutiva; uma atitude lúcida, transversal, consensual e pró-activa.

A primeira justifica-se com um simples “não é nada comigo”. A segunda pode justificar-se com um “eu bem avisei”. A terceira justifica-se muito bem, do meu ponto de vista, com a simples constatação de que “Lisboa não tem culpa”.

 

O consenso em política nunca foi bem visto em Portugal onde a vida partidária assenta na discordância sistemática. Quando se propõe este caminho é-se olhado, em regra, com desconfiança. Mas que “diacho” quer esta agora?

 

Nada de muito complicado. Se a câmara já não estava nas melhores condições, agora está nas piores. Se já era duvidoso levar por diante uma política coerente e consistente que respondesse, simultaneamente, aos problemas conjunturais e estruturais, hoje isso parece impossível. Em suma, o programa eleitoral do Prof. Carmona Rodrigues dificilmente poderá ser cumprido. Será melhor, então, provocar eleições intercalares?

Há que ponderar. Dois anos perdidos e mais dois anos comidos pelo esforço de recuperação, provavelmente dificultados pela coexistência de maiorias políticas diferentes na Assembleia Municipal e na Câmara. Não chegaria a ser, sequer, um começar de novo.

 

Por outro lado, nunca subscrevi a tese pouco democrática de que só se pode governar com maioria absoluta. O Prof. Carmona Rodrigues e a maioria do PSD tiveram sempre o meu voto – antes, durante e depois da coligação – em tudo o que era importante para a cidade, como foi recentemente o caso da viabilização do orçamento com cinco propostas para a sua melhoria. Não é esse, pois, o problema.

 

A questão política mais relevante – atentos os factos concretos que temos sobre a mesa – é o desaparecimento da agenda da maioria. É não se poder governar sem agenda. É a circunstância de a oposição, como parte integrante do executivo, ter poder de iniciativa. Tudo isto aponta para um caminho, que não constituindo uma oportunidade partidária ou individual, poderia constituir a oportunidade que resta a Lisboa. Uma agenda cruzada entre todos, realista quanto ao tempo e às condições que temos, jogando nos pontos programáticos comuns aos cinco partidos, sem contudo violar o resultado eleitoral.

 

A suspeição é um miasma que mina as instituições no seu interior, e na percepção exterior que delas se forma. Talvez por isso, tudo se precipite e seja já impossível justificar uma alternativa a eleições intercalares.

Veremos….
Maria José Nogueira Pinto
01/02/07
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publicado por Maria José Nogueira Pinto às 14:35
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